sábado, 18 de setembro de 2010

FINANCIAMENTO DE CAMPANHA

A mensagem e o mensageiro

Eike Batista, o milionário da mineração (incluso o petróleo no mar), que este ano pagou R$ 670 milhões de Imposto de Renda (a máquina da Receita Federal no Rio não tinha tantos zeros, ele teve de ir a Brasília), conforme declarou no programa Roda Viva, em entrevista a Marília Gabriela, admitiu que dá dinheiro para políticos. A justificativa dele: – Entendo que é nossa obrigação ajudar a sustentar a nossa democracia.

A pergunta: é papel de empresas e empresários dar dinheiro para políticos?
Claro que não.
Daí, do dinheiro ‘doado’, sob o manto legal ou não, resulta um turbilhão de iniquidades com dinheiro público. Sempre foi assim, faz parte da banda podre da nossa cultura política. E enquanto assim for (não se vê firmeza na disposição de mudar), veremos espetáculos como o da ministra Erenice: o caso é criminal, mas toma o debate político numa eleição presidencial.

O PT de hoje carrega o pecado de ter se portado como senhor absoluto da moral pública quando estava na oposição e ter entrado de sola no esquemão quando assumiu o poder.

A oposição de agora e governo de antes, que encarnava o próprio esquemão, tenta fazer crível que é a luz do caminho.

É aí que a porca torce o rabo: a sensação é a de que todos são iguais na predisposição de jogar o jogo meio legal, meio sujo.

Antes e agora, o mesmo imbróglio: mensagem certa, mensageiro indigno de fé. Ou mudam as regras ou ficamos nisso. (Levi Vasconcelos na coluna Tempo Presente no Jornal A Tarde)

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